terça-feira, 29 de abril de 2014

Vargas, JK, Quadros e Jango (1930 – 1964)


Em 1930 os membros da recém-formada Aliança Liberal decidiram contra-atacar após a derrota de Getúlio Vargas nas eleições presidenciais. A revolução começou no dia 3 de outubro, no Rio Grande do Sul, e se espalhou rapidamente através de outros Estados. Era o início da era Vargas.
Getúlio Vargas saiu a cavalo do Rio Grande do Sul e chegou ao Rio de Janeiro 21 dias mais tarde, num golpe de Estado que depôs o então presidente Júlio Prestes. Em 3 de novembro, Vargas se tornou o novo presidente provisório do Brasil.
A Revolução de 30 instaurou, no Brasil, um novo modelo de desenvolvimento industrial e urbano. A adoção desse modelo foi estimulada pelos efeitos do Crash de 1929, que derrubou os preços do café e de outros produtos brasileiros para exportação. A industrialização e as imigrações rurais geraram a urbanização das grandes capitais do Sudeste brasileiro.
A primeira participação de Vargas no poder foi de 1930 a 1945. Foi um período de um governo centralizado e autoritário, caracterizado pelo populismo, nacionalismo, trabalhismo e o forte incentivo à industrialização. Vargas foi, ao mesmo tempo, um ditador e um reformista. Incluiu na nova Constituição de 1934 artigos sobre direitos individuais, voto feminino, previdência social, direitos dos trabalhadores, salário mínimo, abolição da pena de morte, independência dos três poderes (legislativo, judiciário e executivo), eleições diretas para presidente e mandatos em ciclos de cinco anos. Mas, apesar destes avanços, quando era ameaçado pela oposição ele recorria à lei marcial, aos poderes absolutos e à censura aos meios de comunicação.
Em 1937 o Estado Novo institucionalizou, de fato, o regime ditatorial, vigente desde 1930. A Constituição, inspirada no fascismo, fez o presidente exercer o poder absoluto. Vargas proibiu os partidos políticos, os opositores políticos e os artistas, além de intensificar a censura à imprensa.
Em 1942 o Brasil se uniu aos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Fortes pressões populares obrigaram o governo a apoiar os Estados Unidos. Foram organizadas as Forças Expedicionárias Brasileiras, que enviaram soldados para combater ao lado dos Aliados. Depois da guerra, Vargas não conseguiu manter o poder. A contradição de participar de uma luta pela democracia na Europa e gerir seu país como um Estado quase fascista o levou a renunciar. Pela convocação das Forças Armadas, José Linhares assumiu por apenas três meses e, depois, permitiu a eleição que tornou Eurico Dutra presidente até 1951.
No entanto, Getúlio Vargas permaneceu popular e, em 1951, foi eleito presidente pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), desta vez democraticamente. Deu continuidade a uma política nacionalista, populista e pró-industrialização. Enviou ao Congresso o projeto para a criação da Petrobras, flexibilizou as relações sindicais, permitindo a greve. Criou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e limitou em 10% a remessa de lucros para o exterior.
Mas o novo governo foi atormentado pela corrupção. O jornalista Carlos Lacerda, que alertava sobre o assunto, foi assassinado em 1954, o que gerou um grande escândalo. Diversos outros problemas foram então se agravando. Problemas econômicos e a pressão de militares para uma renúncia contribuíram para que Vargas disparasse uma única bala no coração em 25 de agosto de 1954. Em uma nota, ele disse que deixaria esta vida para entrar na história.
Com o suicídio de Vargas o seu vice, João Café Filho, tomou posse. Porém, alegando questões de saúde, licenciou-se do cargo de presidente. Quem assumiu interinamente foi Carlos Luz, presidente da Câmara, que também foi deposto e impedido de governar para que Nereu Ramos, então vice-presidente do Senado, assumisse. A exclusão dos golpistas, apoiados pela União Democrática Nacional (UDN), assegurou a posse do já eleito Juscelino Kubitchek.
Juscelino Kubitschek, o JK, do Partido Social Democrático (PSD), vitorioso nas eleições para presidente, governou de 1956 a 1961. Tinha em sua promessa eleitoral desenvolver o Brasil 50 anos em apenas 5 de governo. Criou o Plano de Metas e consolidou o modelo desenvolvimentista. Durante todo seu mandato, o Brasil viveu uma era de crescimento econômico e estabilidade política.
Com um estilo inovador, Juscelino construiu em torno de si uma aura de simpatia e confiança. Conseguiu ter o apoio da direita e da esquerda, impulsionando um desenvolvimento baseado em empréstimos estrangeiros. Implantou a indústria automobilística e a indústria naval, expandiu a indústria pesada, a construção de usinas siderúrgicas e hidrelétricas. Para estimular o desenvolvimento do interior, construiu Brasília, no centro do país.
Assim, a capital nacional foi transferida para Brasília em 1960, com grande festa de inauguração da nova cidade sede do Brasil. No entanto, a inflação continuava subindo, a concentração de renda aumentava, a dívida externa crescia e a insatisfação popular prosseguia.
Nas eleições de 1961, Jânio Quadros foi o vencedor. Ao passar a faixa presidencial, Juscelino tornou-se o primeiro presidente civil, eleito pelo voto direto, que iniciou e concluiu seu mandato dentro do prazo determinado pela Constituição Federal.
A era de Juscelino Kubitschek foi chamada de “anos dourados”. A sociedade brasileira industrializou-se rapidamente, passando de rural a urbana. O estilo de vida foi modificado, criando o que se chamou “American Way of Life”, devido à influência americana da Segunda Guerra Mundial. Os meios de comunicação multiplicaram-se, e o cinema brasileiro teve sua fase dourada, com a premiação do filme O Cangaceiro no exterior. Os teatros, a Rádio Nacional, as radionovelas, os teleteatros e os telejornais tiveram uma audiência nunca vista. Em 1958 a música brasileira se consolidou com sucessos como Chega de Saudade, de João Gilberto, e o surgimento da bossa nova.
No esporte, a seleção brasileira de futebol foi campeã na Copa do Mundo de 1958. Um ano depois, a seleção brasileira masculina de basquete consagrou-se campeã mundial no Chile, e a tenista Maria Esther Bueno venceu o torneio de Wimbledon e o US Open.
JK faleceu em 1976 em um desastre automobilístico que nunca foi bem explicado. Mais de 300 mil pessoas assistiram a seu funeral em Brasília cantando a música Peixe-Vivo, que o identificava. Seus restos mortais estão no Memorial JK, construído em 1981, na capital federal.
Jânio Quadros, eleito em 1961, conquistou grande parte do eleitorado prometendo combater a corrupção. Usou da promessa de “varrer” toda a “sujeira” da administração pública. Mas, em seu curto governo, ele irritou os militares pela condecoração concedida a Che Guevara em uma cerimônia pública em Brasília, desencadeando muitas manifestações e disputas entre esquerda e direita, que denunciaram supostas tramas de Jânio. Com sete meses de cargo, Quadros renunciou, para surpresa de toda a nação, alegando um problema de forças ocultas.
Com a renúncia instaurou-se uma crise no país, e Ranieri Mazzili assumiu provisoriamente a Presidência. Neste momento, acontecia no Brasil a Campanha da Legalidade, para a manutenção da ordem jurídica. Com a adoção do regime parlamentarista, e a consequente redução dos poderes presidenciais, os militares aceitaram que João Goulart, vice-presidente de Quadros, assumisse.
João Goulart, conhecido como Jango, governou de 1961 a 1964. Como principal proposta tinha o Plano Trienal, um conjunto de medidas para solucionar problemas estruturais do país como o déficit público e a manutenção da política desenvolvimentista.
Jango teve grande dificuldade em governar o país. Desgastado com a crise econômica e com a oposição de militares, o presidente procurou se fortalecer, participando de manifestações e comícios que apoiavam suas propostas. Defendeu a reforma da Constituição para ampliar o direito de voto a analfabetos e militares de baixa patente. Criticou seus opositores dizendo que estes estavam a serviço de grandes companhias internacionais e contra o povo.
A oposição acusou o presidente de desrespeito à ordem constitucional e derrubou Jango em um golpe de Estado em abril de 1964.

FONTE: http://soulbrasileiro.com.br/

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