terça-feira, 29 de abril de 2014

Independência e Império (1808 - 1889)


As guerras napoleônicas causaram uma grande mudança na vida da colônia, e o Brasil se tornou um refúgio para a família real portuguesa. Com medo das tropas de Napoleão que invadiam Lisboa, em 1808 cerca de 15 mil pessoas saíram de Portugal, lideradas pelo príncipe Dom João VI. A transferência da Corte portuguesa para o Brasil trouxe vantagens como: a abertura dos portos; a reformulação do Rio de Janeiro; o fomento à indústria e educação; o estimulo à economia regional, com a diversificação da agricultura e a intensificação da produção do charque no Rio Grande do Sul.
Dom João não escondia o amor que sentia pelo Brasil. Mesmo após a derrota de Napoleão em Waterloo, em 1815, não mostrou qualquer sinal de abandono ao país. Com a morte de sua mãe e com a Revolução do Porto, que exigia o fim da monarquia absolutista e a formação de uma Assembleia Constituinte, Dom João VI foi obrigado a voltar para Portugal e deixar no Brasil seu filho Dom Pedro como príncipe regente.
O Dia do Fico, em 9 de janeiro de 1822, marcou a decisão de Dom Pedro em permanecer no Brasil, desobedecendo às novas leis vindas de Portugal que extinguiam a Regência e exigiam a volta do herdeiro da Coroa.
No dia 7 de setembro de 1822, Dom Pedro declarou oficialmente a Independência do Brasil e consagrou-se o primeiro imperador. Nas margens do Rio Ipiranga, em São Paulo, ele puxou sua espada e declarou “independência ou morte”! Assim, sem lutas nem tiros, nasceu o Império brasileiro.
Em 1825 a Inglaterra assinou um tratado que reconheceu a Independência do Brasil, em troca da garantia de continuidade de seus privilégios. Portugal também foi favorecido com o acordo, pois o Brasil se comprometeu a pagar o empréstimo feito pelo governo português à Inglaterra.
A Independência marcou o fim das tentativas de Portugal de recolonizar o Brasil e adiou a resolução dos imensos problemas da nova nação, como a crise econômica, a necessidade de reconhecimento por parte dos países estrangeiros e a elaboração da nova Constituição. Somente em 1826 entrou em funcionamento o Parlamento previsto pela Constituição de 1824.
Em 1831, Dom Pedro, após o confronto com os deputados liberais, foi forçado a abdicar, voltando para a Europa e deixando seu filho de 5 anos, Dom Pedro II, para assumir o trono. Tendo como herdeiro direto uma criança, inicia-se o período de Regência, no qual o poder ficava nas mãos dos liberais. De 1831 a 1840 o Brasil viveu uma época de turbulência, com diversas rebeliões travadas pela disputa de poder e pelo acirramento da luta contra o tráfico de escravos.
Para conter os conservadores, em 1840 os liberais lançaram a campanha vitoriosa da maioridade de Dom Pedro II. Aos 15 anos ele foi coroado, recebeu o título de Imperador e Defensor Perpétuo do Brasil, precipitando uma das fases mais prósperas na história do país.
Com Dom Pedro II, que governou de 1840 a 1889, houve um período áureo na economia brasileira. Estradas de ferro foram construídas, a indústria se desenvolveu e a produção nacional aumentou quase dez vezes. O tratado que concedia privilégios aos ingleses acabou, permitindo sanear as finanças e implantar algumas experiências industriais. Para a população, no entanto, o Brasil apresentava um cenário opressor, pois os cidadãos ainda eram mantidos sob o jugo da escravidão. A base da mão-de-obra era escrava, desde o século XVI a exploração tinha formado a espinha dorsal de uma sociedade desigual no Brasil.
O século XIX foi marcado por uma série de tentativas legislativas para amenizar a escravidão. O tráfico de escravos para o Brasil foi proibido em 1850, mas continuou clandestinamente. Com a intensificação da repressão a esta prática, os ingleses passaram a atacar os navios nos portos brasileiros. A extinção do tráfico internacional, não impediu que continuasse, por muitas décadas, o tráfico interno.
Com o passar do tempo, as pressões econômicas e políticas inglesas levaram à criação de leis para contribuir na luta contra a escravidão no Brasil. Uma delas, chamada Lei do Ventre Livre, promulgada em 1871, considerava livres todos os filhos de escravos nascidos a partir daquele ano. Já a Lei dos Sexagenários, de 1885, previa a libertação dos escravos que tivessem mais de 60 anos, embora poucos chegassem vivos a esta idade. Somente em 13 de maio de 1988 a escravidão foi oficialmente proibida no Brasil com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel.
No entanto, a abolição da escravidão, ao final do reinado de Dom Pedro II, arruinou o Império. Mais de 800 mil escravos foram soltos, eram analfabetos, não tinham qualificação e não sabiam o que fazer com a liberdade. Muitos migraram para centros urbanos, criando diversas das favelas que existem hoje no Brasil.
Os militares, apoiados pelos latifundiários, agricultores de café e uma Igreja Católica hostil, rebelaram-se em 1889. Sob o comando de Deodoro da Fonseca houve um golpe militar. O movimento abolicionista e republicano foi responsável pelo fim da servidão, pelo fim do Império e pela Proclamação da República. O imperador Dom Pedro II entrou em exílio, onde morreu anos mais tarde.
Até 1891 o Brasil teve militares no governo. O país se tornou uma República e, com a nova Constituição de 1891, Deodoro da Fonseca foi eleito presidente com apenas 2% dos cidadãos votantes. Nessa época houve um crescimento acelerado da população brasileira, graças à chegada de estrangeiros vindos de países como Itália, Japão, Espanha, Alemanha, Portugal. O Brasil atingiu 14,3 milhões de habitantes.
Com o incentivo à política de imigração para substituir a mão-de-obra escrava, 184 mil imigrantes se estabeleceram no Brasil, dirigindo-se principalmente ao Estado de São Paulo. O fenômeno acrescentou texturas para a mistura étnica do Brasil e confirmou a mudança do centro econômico do Nordeste para o Sudeste.
Durante o século seguinte, os imigrantes continuaram a chegar. O país virou um refúgio para os judeus que fugiam da perseguição dos nazistas, e para os nazistas que evitavam a condenação por crimes de guerra. Os árabes também se juntaram ao fluxo de imigrantes. Muitos dos comerciantes da Rua Uruguaiana, no Rio de Janeiro, são oriundos do Oriente Médio.
A Constituição de 1891 criou um conflito permanente, por concentrar o poder no presidente e, ao mesmo tempo, permitir uma grande autonomia dos Estados. O poder dos militares e dos influentes cafeicultores aumentou, e o dos barões do açúcar diminuiu.
O café mostrou-se importante já no período regencial, quando era cultivado, a princípio, apenas para o consumo doméstico e local. No começo do século XIX, transformou-se em um produto economicamente importante para o país. As grandes fazendas de café se expandiram pelo Vale do Paraíba, na província do Rio de Janeiro, penetrando, em seguida, no sudeste de Minas Gerais e norte de São Paulo. O avanço do café coincidiu com a decadência das lavouras tradicionais de algodão e açúcar. Entre 1837 e 1838, as exportações de café, destinadas principalmente aos Estados Unidos, correspondiam a mais da metade do valor das exportações brasileiras. A lavoura cafeeira proporcionou aos grandes proprietários rurais do Sudeste o suporte econômico necessário para consolidarem sua supremacia política perante as demais províncias do país. Até 1889 o café representava dois terços das exportações brasileiras.
A procura por borracha veio em 1890 com a invenção do pneu e o início da indústria automobilística. O preço da borracha era alto, trazendo grande riqueza para as principais cidades amazônicas de Belém e Manaus, que extraiam a matéria-prima das árvores seringueiras. A produção da borracha teve seu auge em 1912, quando as exportações de látex formavam cerca de 40% das receitas de exportação do Brasil.
Após as grandes revoluções políticas, o século XIX foi o período da consolidação do regime democrático e da economia capitalista. A matéria-prima fluía continuamente para as indústrias europeias.

FONTE: http://soulbrasileiro.com.br/

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